quinta-feira, 12 de abril de 2012

Como uma bactéria da boca pode causar uma doença sistêmica?


De acordo com pesquisadores da Case Western Reserve University, uma bactéria comum na boca, Fusobacterium nucleatum, age como uma chave para abrir uma porta em vasos sanguíneos humanos e lidera o caminho para ela e outras bactérias como Escherichia coli invadir o corpo através do sangue e fazer pessoas doentes.

Yiping Han, professora da Case Western Reserve University, fez a descoberta em seu trabalho contínuo com a bactéria Fusobacterium nucleatum, uma das mais prevalentes das mais de 700 espécies de bactérias da boca.

Ela encontrou na bactéria anaeróbia gram-negativa um novo agente de adesão que ela chamou de FadA que desencadeia uma cascata de sinais que quebram as ligações entre as células endoteliais na superfície do vaso sanguíneo apenas o suficiente para permitir que a F. nucleatum e outras bactérias entrem no sangue.

Uma descrição de como isso acontece foi publicado recentemente no artigo “Fusobacterium nucleatum adhesin FadA binds vascularendothelial cadherin and alters endothelial integrity” na revista Molecular Microbiology.

A autora tem estudado essa bactéria durante a última década e foi a primeira a encontrar evidências diretas de que a ligava ao trabalho de parto prematuro e óbito fetal. Mas a sua presença é encontrada em outras infecções e abcessos no cérebro, pulmões, fígado, baço e articulações.

Depois de encontrar a bactéria e ligá-la geneticamente à morte fetal, ela começou a desvendar o mistério de como uma bactéria oral pode ser encontrada por todo o corpo e quebrar as barreiras hemato-encefálica e placentária, que geralmente bloqueiam agentes causadores de doenças.

Através de anos de trabalho de laboratório, a pesquisa levou à caderina endotelial vascular, molécula que liga as células endoteliais vasculares em conjunto sobre os vasos sanguíneos. Essas moléculas são como um gancho e laço de ligação, mas por alguma razão desconhecida, quando a F. nucleatum invade o organismo através de cortes nas membranas mucosas da boca, devido a lesões ou doença periodontal, esta bactéria em particular desencadeia uma cascata de sinais que faz com que o gancho recue para trás para dentro da célula endotelial, quebrando a ligação. A bactéria oral lidera a invasão acompanhada de qualquer outro invasor nocivo que estiver presente.

Esta quebra na ligação entre as células endoteliais foi observada por microscopia confocal quando Han utilizou células do cordão umbilical humano. Os pesquisadores introduziram F. nucleatum e demonstraram a quebra das caderinas nas células endoteliais criando espaço suficiente no endotélio para os invasores entrarem.

Os exames laboratoriais incluíram a introdução de F. nucleatum com e sem outras bactérias. Quando somente E. coli foi introduzido, a ligação não quebrava, mas quando F. nucleatum foi introduzido primeiro, a ligação era quebrada e as bactérias E. coli foram capazes de passar através das camadas de células que antes estavam intactas.

"Esta cascata nocauteia o guarda de plantão e permite que as bactérias entrem no sangue e viagem como um ônibus lotado por todo o sistema. Sempre que o F. nucleatum quer descer do ônibus no fígado, cérebro, baço, ou outro lugar, ele faz ", disse Han.

Quando desembarca de sua viagem através do sangue, ele começa a colonizar. A colônia de bactérias induz uma reação inflamatória que tem uma série de consequências, de necrose do tecido até a morte fetal.


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